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Conceitos:
inconsciente, auto-sugestão, conseguisse, consciente, sugestão, acontecendo, desapareceu, imediato, possível, pode, imaginação, força, esforços, tratamentos, contrário.
Resumo:
A sugestão, ou antes a auto-sugestão, é um assunto completamente novo e ao mesmo tempo tão antigo quanto o mundo.
É um assunto novo porque, até hoje, foi mal estudado e, por conseguinte, não muito conhecido; é antigo, por datar da aparição do homem na terra.
De fato, a auto-sugestão é um instrumento que nasce connosco, e este instrumento, ou melhor esta força, é dotada de um poder inaudito, incalculável, que, conforme as circunstâncias, produz os melhores ou os piores efeitos.
O conhecimento desta força é útil a cada um de nós e, particularmente, é indispensável aos médicos, aos magistrados, aos advogados e aos educadores da mocidade.
conscientemente, as auto-sugestões benignas, que levam a saúde moral aos que sofrem de nevrose, aos desencaminhados, vítimas inconscientes de auto-sugestões anteriores, e que conduzem ao bom caminho os espíritos com tendência a seguirem o mal.
Para bem compreender os fenómenos da sugestão, ou, mais acertadamente, da auto-sugestão, é preciso saber que há em nós dois indivíduos completamente distintos um do outro.
Ambos são inteligentes, mas enquanto um é consciente, o outro é inconsciente.
É a razão pela qual a sua existência, geralmente, passa despercebida.
Entretanto, esta existência pode ser facilmente constatada, desde que se tenha o trabalho de examinar certos fenómenos que sobre eles se queira reflectir bem, por alguns instantes.
Todos sabem o que é sonambulismo e que o sonâmbulo levantando-se à noite, sem estar acordado, sai do quarto depois de mudar ou não a roupa, desce as escadas, atravessa corredores e, após ter praticado certos actos ou terminado certo serviço, volta ao seu dormitório e deita-se novamente.
No dia seguinte, demostra a maior das admirações por encontrar feito um trabalho, que, na véspera, deixara por acabar.
Entretanto, foi ele quem o fez, se bem que o não saiba.
A que força obedeceu o seu corpo, senão a uma força inconsciente, ao seu ser inconsciente?
Consideremos, agora, o caso muito frequente, de um infeliz alcoólico atacado de delirium tremens.
Como que tomado de um acesso de loucura, ele se apodera de uma arma qualquer, uma faca, um martelo, um machado, e fere, fere furiosamente aqueles que têm a infelicidade de se lhe acharem perto.
Depois de passado o acesso, o indivíduo recobra os sentidos e contempla, horrorizado, a cena de sangue que a sua vista oferece, ignorando ter sido ele mesmo o seu autor.
Ainda neste caso, não foi o inconsciente que conduziu esse desgraçado?
Se compararmos o ser consciente ao ser inconsciente, constatamos que, enquanto o consciente é frequentemente dotado de uma memória muito falha, o inconsciente é, ao contrário, provido de uma memória maravilhosa, impecável, que guarda, sem o sabermos, os menores acontecimentos, os mais insignificantes factos de nossas vidas.
E, como é ele quem preside o funcionamento de todos os nossos órgãos, por intermédio do cérebro, dá-se um facto, que decerto parecerá paradoxal: se ele julgar que esse ou aquele órgão funciona bem ou mal, ou julgar que sentimos esta ou aquela impressão, este ou aquele órgão, de fato, funciona bem ou mal, ou então, nos sentimos com esta ou aquela impressão.
O inconsciente não preside somente as funções do nosso organismo, preside também o acabamento de todas as nossas acções, quaisquer que sejam elas.
A ele é que chamamos imaginação, e é quem, ao contrário do que se admite, nos faz sempre agir, mesmo e sobretudo contra a nossa vontade, desde que haja antagonismo entre essas duas forças.
Se abrirmos um dicionário e procurarmos saber o significado da palavra vontade, encontraremos esta definição: "Faculdade de praticar ou não, livremente, algum ato".
Mas não pode haver maior engano, pois esta vontade que reivindicamos com tanta altivez, cede sempre o passo à imaginação.
É uma regra absoluta que não padece excepção alguma.
E, para se convencerem, abram os olhos, olhem em torno de si e saibam compreender aquilo que vêem.
Hão de ver, então, que o que lhes digo não é uma teoria aérea, produzida por um cérebro doente, mas a simples expressão daquilo que realmente é.
Suponhamos que há no solo um tábua de 10 metros de comprimento por 25 centímetros de largura.
Antes de derem dois passos, começarão a tremer e, apesar de todos os esforços de vontade, fatalmente cairão ao solo.
Observem que os senhores têm boa-vontade de avançar; se imaginam que o não podem, ficam na impossibilidade absoluta de fazê-lo.
A vertigem só é causada pela imagem que se nos afigura de que vamos cair; essa imagem se transforma imediatamente em ato, apesar de todos os nossos esforços de vontade, tanto mais depressa quanto mais violentos são esse esforços.
Qual era o estado de espírito de cada um, nestas várias circunstâncias?
Sei que, geralmente, a gente passa por louco, diante de pessoas, quando se ousa emitir ideias que não estão habituadas a ouvir.
Se, foi, realmente, feita a auto-sugestão, isto é, se seu inconsciente aceitou a sua ideia, com grande admiração sua verá realizar-se aquilo em que havia pensado.
(Note-se que as ideias auto-sugestionadas têm a propriedade de existir em nós sem o sabermos, de cuja existência só podemos ter conhecimento pelos efeitos que essas ideias produzem).
Mas, sobretudo, e esta recomendação é essencial, a vontade não deve intervir na prática da auto-sugestão; porque, se ela não está de acordo com a imaginação, se a gente pensa: "quero que tal coisa aconteça", e a imaginação diz: "tu queres, mas isso não sucederá", não somente não se consegue o que se quer, mas ainda se obtém exactamente o contrário.
Esta observação é capital, e explica por que os resultados são tão pouco satisfatórios quando, no tratamento das afecções morais, se fazem esforços para reeducar a vontade.
É a imaginação que é preciso educar, pois, graças à delicada divergência entre esta e aquela, o meu método teve sucesso onde outros, e não poucos, fracassaram.
Consoante o que acabo de dizer, parece que ninguém deveria jamais ter adoecido.
Toda doença, quase sem excepção, pode ceder à auto-sugestão, por mais ousada e inverossímil que possa parecer a minha afirmação.
Não digo, cede sempre, digo pode ceder, o que é diferente.
Mas para fazer com que as pessoas pratiquem a auto-sugestão consciente, é preciso ensinar-lhes como fazê-lo, do mesmo modo que se faz para lhes ensinar a ler ou escrever, ou para que elas aprendam música etc.
A auto-sugestão é, como disse mais atrás, um instrumento que trazemos connosco ao nascer e com o qual brincamos inconscientemente toda a nossa vida, como um menino brinca com seu maracá.
Mas é um instrumento perigoso; pode ferir, matar mesmo, se o manejarem imprudentemente, inconscientemente.
Ao contrário, salva quando o souberem empregar de maneira consciente.
Pode-se dizer dele o que da língua dizia Esopo: "É a melhor e, ao mesmo tempo, a pior coisa do mundo".
Vou explicar-lhes, agora, como se pode fazer para que todo mundo experimente a acção benfazeja da auto-sugestão, aplicada de um modo consciente.
O princípio deste método se resume, pouco mais ou menos, nestas palavras: Só se pode pensar em uma coisa de cada vez, isto é, duas ideias podem se justapor, mas não se podem sobrepor em nosso espírito.
Todo pensamento que preocupa inteiramente o nosso espirito, torna-se verdadeiro para nós e possui uma tendência para transformar-se em ato.
Portanto, se conseguirmos fazer crer a um doente que vai acabar seu sofrimento, este de fato desaparecerá; a um cleptómano que não furtará mais, ele não mais furtará, etc.
Diz-se ao paciente: "Sente-se e feche os olhos.
Peço que feche os olhos, simplesmente para que a sua atenção não seja desviada para os objectos que lhe dão na vista.
Agora, diga bem direito, que todas as palavras que vou pronunciar vão fixar-se no seu cérebro, imprimir-se, gravar-se, incrustar-se nele; que é preciso que elas fiquem sempre fixadas, impressas, incrustadas e que, sem o senhor querer e sem o saber, de uma maneira completamente inconsciente de sua parte, o seu organismo e o senhor mesmo deverão obedecer-lhes.
Digo-lhe, em primeiro lugar, que diariamente, três vezes por dia, de manhã, ao meio dia e à noite, à hora das refeições, o senhor terá fome, isto é, sentirá esta sensação agradável que faz pensar e dizer: "Oh!
Com efeito, comerá com prazer, sem, entretanto, comer demais.
Comerá moderadamente e o suficiente para deixá-lo no peso ideal.
Terá, porém, cuidado de mastigar demoradamente os seus alimentos, para os transformar em uma pasta bem mole, antes de engolir.
Nestas condições, fará bem a digestão, e não sentirá nem no estômago, nem nos intestinos, nenhum sofrimento, nenhum incómodo e dor nenhuma, qualquer que seja a sua natureza.
A assimilação se fará bem e o seu organismo aproveitará todos os seus alimentos, para produzir sangue, músculo, força, energia, numa palavra: VIDA.
"Visto que a digestão vai ser bem feita, a função da excreção dar-se-á normalmente.
"Ademais, todas as noites, a partir do momento em que quiser dormir, até ao momento em que desejar levantar-se, na manhã seguinte, dormirá um sono profundo, calmo, tranquilo, durante o qual não terá pesadelos, e quando acordar, sentir-se-á com saúde, todo alegre e bem disposto.
"Além disso, se existe alguma lesão num deles, irá cicatrizando dia a dia, sarando com rapidez."
Destarte, consegue-se introduzi-la mecanicamente no inconsciente, pelo ouvido e, logo que nele penetra, ela age.
Não pensem, entretanto, que seja necessário agir da maneira que acabo de expor, para empregar a sugestão e determinar a auto-sugestão.
Para bem se compreender o papel da sugestão ou, por outra, da auto-sugestão, basta saber que o inconsciente é o "dirigente mor de todas as nossas funções".
Façamo-lhe crer, como anteriormente disse, que tal órgão que não funciona bem, deve funcionar bem.
Instantaneamente o inconsciente lhe ordena e o órgão, obedecendo submissamente, inicia a recuperação de sua função normal, imediatamente.
Isto nos dá o direito de explicar, de uma maneira simples e clara como, pela sugestão, pode-se suster as hemorragias, debelar a prisão de ventre, extinguir os fibromas, curar as paralisias, as lesões tuberculosas, as feridas varicosas etc.
Tomo, como exemplo, um caso de hemorragia dentária, que pude observar no gabinete do Sr. Gauthé, dentista, de Troyes.
Uma mocinha, a quem ajudei a curar-se de uma asma que lhe durou oito anos, me disse um dia que queria extrair um dente.
Sabendo-a muito sensível, ofereci-me para mandar arrancar o dente, sem dor.
Naturalmente, ela aceitou com prazer, e marcamos a hora com o dentista.
No dia combinado, fomos ao seu gabinete.
Colocando-me em frente à moça, disse-lhe: "A senhorita não sente nada, a senhorita não sente nada etc. ...".
Um momento depois, o dente estava arrancado sem que a senhorita D...
Ao invés de aplicar um hemostático qualquer, disse ao dentista que iria experimentar a sugestão, sem saber de antemão o que resultaria.
que me olhasse e sugeri-lhe que, dentro de dois minutos, a hemorragia cederia, por si mesma; e ficamos aguardando o resultado.
A jovem expeliu ainda alguns escarros sanguíneos e mais nada.
Disse-lhe que abrisse a boca, olhamos e constatamos que o sangue coagulara na cavidade dentária.
Muito simplesmente: sob a influência da ideia "a hemorragia deve parar", o inconsciente transmitiu, às pequenas artérias e pequenas veias, ordem para não deixar escapar sangue, e elas, com brandura, se foram contraindo naturalmente, como o fariam artificialmente, ao contacto de um hemostático, como por exemplo a adrenalina.
É raciocinando do mesmo modo, que nos é dado compreender como pode desaparecer um fibroma.
O inconsciente, aceitando a ideia " o fibroma deve desaparecer", o cérebro ordena às artérias que o nutrem, que se contraiam; elas se contraem, recusam o seu auxílio, não alimentam mais o fibroma e este, privado daquele alimento, morre, seca, reabsorve-se e desaparece.
A neurastenia, tão comum nos nossos dias, geralmente cede à sugestão praticada, frequentemente, do modo como exponho.
Tive a felicidade de contribuir para a cura de numerosos neurasténicos, para os quais falharam todos os tratamentos.
Um deles até passara um mês num estabelecimento especial de Luxemburgo, sem conseguir melhorar.
Em seis semanas, ficou completamente bom e sente-se, agora, o homem mais feliz do mundo, após ter se considerado o mais desgraçado.
E nunca mais recairá na sua moléstia, porque lhe ensinei a aplicar, a si próprio a autosugestão consciente, e ele a sabe fazer maravilhosamente.
transformando em pessoas honestas as infelizes crianças que povoam as casas de correcção e que de lá saem para entrar na vastidão do crime?
Não me digam que isto é impossível.
É possível e posso fornecelhes a prova.
Já expliquei a minha teoria da auto-sugestão consciente e também a aplicação do meu método.
Foi por isso que reuni, nesta Parte, tudo o que disse no curso das minhas conferências, dando as razões que me levaram a aconselhar a prática da auto-sugestão, da maneira como indico.
Não quero que me tomem, como muita vezes acontece, por uma pessoa que cura doentes, um operador de milagres, que tem à sua disposição todas as forças ocultas e tudo pode, mesmo e principalmente o impossível.
Primeira carta: --- Tive a grande felicidade de receber a vossa carta de 13 de maio, e as brochuras que a acompanharam, as quais achei muito interessantes.
Há cerca de quarenta anos, um médico aconselhou-me a mandarme operar as varizes da perna ou, pelo menos, usar meias elásticas.
Suponhamos tratar-se de uma criança recém-nascida, que repousa no berço.
De repente, ouvem-se uns pequenos gritos e uma das pessoas presentes, o pai, se está em casa, imediatamente, corre para a criança e a toma nos braços.
Se ela não está realmente doente, ao cabo de alguns instantes deixa de chorar e, novamente, a deitam no berço.
Tiram-na mais uma vez e de novo se cala.
Tornam a deitá-la e os gritos recomeçam.
Não sei se concordais comigo, mas penso não errar dizendo que essa criança procura auto-sugestionar seus pais ou, por outra, procura enganá-los, como se diria em linguagem mais corrente.
Se efectivamente, os pais imaginam que é preciso pegar a criança, cada vez que ela chora, a fim de evitar o choro, fazem-no em consequência da auto-sugestão.
Destarte, eles se condenam a passar quinze ou dezoito meses da sua vida, com a criança nos braços, durante uma boa parte das noites; ao passo que no seu berço, ela estaria melhor, assim como os pais o estriam na cama.
E a criança,,por sua vez, diz consigo mesma, na linguagem que ignoramos, mas que ela compreende, perfeitamente: "Cada vez que quiser que papá ou mamã me tire do berço, basta chorar."
Se, ao contrário, deixarem-na chorar durante quinze minutos, meia hora ou mais ainda, ela, vendo que não surte efeito o choro, diz consigo, na sua linguagemzinha: "Oh!
Como vê, desde o primeiro dia da nossa existência, começamos a sugestionar e a auto-sugestionar; e fazemo-lo noite e dia, até à hora de morrer.
Nossos sonhos são auto-sugestões produzidas pelo inconsciente, como também tudo o que dizemos, tudo o que fazemos, durante o dia é determinado pelas auto-sugestões inconscientes, que só o deixarão de ser no dia em que as soubermos tornar conscientes.
Entretanto, é mister saberdes que a auto-sugestão é um instrumento perigoso, mesmo muitíssimo perigoso.
É a melhor e ao mesmo tempo, a pior coisa do mundo, consoante for bem ou mal aplicada.
Quando bem empregada, dá sempre bons resultados, por vezes tão surpreendentes, que, erradamente, os temos na conta de milagres; quando mal empregada, infalivelmente dá maus resultados, muitas vezes de tal modo consideráveis, que se tornam verdadeiros desastres, não só no ponto de vista físico como no ponto de vista moral.
Mas, que nos acontece, se fizermos uso de um instrumento perigoso, com o qual nunca lidamos?
Às vezes, muito raramente, por absoluto acaso, servimo-nos dele, acertadamente; mais frequentemente usamo-lo mal, ferindo-nos mais ou menos gravemente.
A mesma coisa se verifica com a auto-sugestão.
Se, porém, conseguirmos familiarizarmo-nos com tal instrumento, imediatamente ele deixa de ser perigoso para nós.
Portanto, em que consiste o perigo de uma coisa?
Na ignorância em que nos achamos desse perigo.
Pois bem, o meu papel é o de ensinar-vos a empregar bem e conscientemente este instrumento perigoso por vós inconscientemente usado até agora, isto é, muito poucas vezes bem quase sempre mal.
Antes de vos dar os conselhos com os quais vou terminar, devo expor-vos os princípios sobre os quais baseei o meu método, porquanto, ao contrário do que julgam certos indivíduos, que o não querem compreender, este método não é nem empírico, nem infantil, mas sim, científico, porque se apoia em bases científicas e, ao mesmo tempo, baseado nas observações dos factos.
Efectivamente, todas as noites, olhando para a cama, ela pensa que vai passar, deitada nela, uma noite tão desagradável como a anterior.
Por exemplo: um asmático acorda de manhã, absolutamente satisfeito e disposto.
Foi por ventura, propriamente, a cerração que determinou esta crise?
Creio mesmo poder dizer, sem receio de errar, que à parte os epilépticos (e ainda assim), as pessoas sujeitas a crises nervosas só tiveram uma crise nervosa verdadeira, isto é, a primeira.
Passada essa primeira crise, o doente diz infalivelmente: "Contanto que isto não me volte mais."
Se a gente consegue convencer a essa espécie de paralíticos que eles vão andar, observa-se que o surdo ouve, o cego vê e o paralítico anda.
Ouviu-me ainda, perfeitamente, a um metro e meio de distância, mais ou menos.
Durante todo esse tempo, conservou uma venda sobre a vista esquerda, que, privada de enxergar pelo espaço de um ano, habituo-se a não ver, e guardou esse hábito até ao momento em que veio procurar-me.
É bem fácil a explicação desta cura repentina.
Quinze meses antes, essa mulher sofrera, indubitavelmente, uma congestão cerebral, que lhe causara uma paralisia real.
Como acontece, frequentemente, em tais casos, aos poucos as lesões foram desaparecendo, e, na mesma proporção, a paralisia verdadeira diminuía.
Continuando, porém, a doente a pensar: "estou paralítica", permanecia sempre no mesmo estado.
Em seguida, como as lesões foram curadas completamente, a paralisia real desapareceu, mas a pessoa, julgando sempre estar paralítica, continuava no mesmo estado em que ficou no dia do acidente.
Desde que não havia mais lesões a curar, a sugestão de que iria desaparecer a paralisia assim que as lesões também desaparecessem, trouxe um resultado súbito.
Eis ainda alguns casos de moléstias incuráveis que obtiveram melhorias em proporções inacreditáveis.
O primeiro se deu com a senhora X..., de Nova Iorque.
Assim que chegou, remeteu-me ela uma carta do seu médico, concebida mais ou menos no seguinte teor: "Caro senhor, meus colegas e eu fizemos todo o possível para que a senhora X...
conseguisse melhorar de saúde, pois sofria de esclerose múltipla, mas foi em vão.
Espero que o senhor seja mais feliz do que nós".
Essa senhora entrou em minha casa ajudada do lado esquerdo pelo marido e do lado direito apoiada numa bengala.
É inútil dizer que caminhava com a maior dificuldade.
No fim de quinze dias, a senhora X...
Apenas a sua marcha era ainda um pouco dura.
Há dois anos que vem se mantendo neste estado.
O segundo caso ocorreu com uma senhora de Haarlem, a quem vi em presença do seu médico.
Como no caso precedente, tratava-se de uma esclerose múltipla.
Quando entrei no quarto dela, encontrei-a estendida num divã, do qual saía somente de noite para deitar-se na cama, de onde muito penosamente, pala manhã, ia para o divã auxiliada por duas pessoas, que a seguravam à direita e à esquerda.
Rapidamente, expliquei-lhe o método e obtive, dentro de alguns minutos, que ela caminhasse de um lado para outro, apoiando-se, apenas, no meu indicador direito.
Não somente pôde caminhar como também subir e descer uma escada a passos largos.
Algum tempo depois, eu recebia uma carta da mãe dela, informando-me que, no dia imediato de minha visita, a jovem senhora subira, sozinha, ao andar superior da casa, para ver o quarto dos seus filhos, onde, havia onze meses, não ia, e que, no segundo dia, descera à sala de jantar, a fim de fazer a sua refeição, em companhia dos seus pais.
Ao cabo de dois meses, a doente mesma escrevia-me para comunicar-me que continuava melhorando e tinha podido sair e fazer visitas.
Mal pude reconhecê-la, este ano, por ocasião da minha segunda viagem à Holanda.
Notei que o seu andar poderia ser inteiramente normal, se lhe não tivesse ficado uma pequena dureza nas pernas.
A partir da primeira sessão, os esfíncteres recomeçaram a funcionar e, aos poucos, esse homem foi ficando em condições de andar quase normalmente, a ponto de mal poder notar-se que era atáxico.
Graças à sugestão e à auto-sugestão, a doença psíquica desapareceu mais ou menos depressa, ficando, apenas, a verdadeira moléstia, isto é, um décimo do total.
Ei-la: Se toda ideia, que temos no espírito (quero dizer no inconsciente), se torna para nós uma realidade no domínio da possibilidade e, estando doentes, trazemos no espírito a ideia de cura, esta se torna real no domínio da possibilidade, isto é, se ela é possível, realiza-se; se não é naturalmente, não se realizará.
Mas, a partir da primeira semana, em que comecei a por em prática o vosso método, a digestão fez-se perfeitamente, e aos poucos, os meus padecimentos morais se dissiparam.
Sou a pessoa que estava sofrendo de um mal no joelho, havia onze anos, e que não podia quase andar.
Portanto, longe de considerar a auto-sugestão e a medicina como rivais, o que, infelizmente, muitas vezes acontece, é mister, ao contrário, considerá-las boas amigas, que, em vez de serem incompatíveis, devem se dar as mão, reciprocamente, e se completarem uma a outra.
Demais, é necessário saberdes que, em cada um de nós, existem dois seres bem distintos um do outro.
O primeiro é o ser voluntário e consciente que conhecemos, e que acreditamos ser quem nos dirige.
Realmente, quase todos nos pensamos ser guiados pela nossa vontade, pelo nosso Consciente.
Mas, por trás desse primeiro agente, há um outro, o Inconsciente ou Subconsciente, ao qual, pela boa razão de não conhecermos, não dispensamos atenção.
Isto é lamentável, porquanto, tanto no ponto de vista físico como no moral, é ele que nos dirige.
Como é sempre bom dar uma prova daquilo que se enuncia, vou provar-vos o que acabo de dizer.
baço, etc. Quem, de nós, por sua vontade, seria capaz de fazer um desses órgãos funcionar?
Entretanto, eles funcionam de uma modo contínuo, não somente de noite como de dia, enquanto o nosso consciente dorme, porquanto este adormece ao mesmo tempo que o corpo.
Se eles funcionam, é necessariamente, sob a influência de uma força.
A força é que chamamos o Inconsciente ou o Subconsciente.
Pois bem, assim como o Inconsciente preside ao funcionamento do nosso físico, também preside ao do nosso ser moral.
É a seguinte a conclusão a tirar desse segundo princípio: se o nosso Inconsciente é que nos conduz e se aprendemos a dirigi-lo, por seu intermédio aprendemos a nos guiar a nós mesmos.
Para maior clareza, vou apresentar-vos uma comparação.
Consideremos cada um de nós assentado em um carro atrelado a um cavalo e que, ao atrelarem esse animal, hajam esquecido de pôr-lhe as rédeas, tendo-se-lhe, assim mesmo, dado uma chicotada.
Naturalmente, põe-se a andar, mas em que direcção?
Sem dúvida, irá onde quiser; para frente, à direita, à esquerda, para trás, como lhe convier.
Como, porém, ele nos conduz na pequena carruagem que vai puxando, há de nos levar onde lhe convier ir, acontecendo, quase sempre, arrastar-nos por um caminho cheio de rodeiras, barrancos, tendo à direita e à esquerda uma vala mais ou menos grande, profunda e lamacenta, onde encontra meio de nos fazer tombar.
Se conseguirmos pôr as rédeas nesse cavalo, os papéis, imediatamente, mudam.
Graças às rédeas, podemos guiá-lo para onde desejamos que ele vá; e, se, desta vez, vamos por um caminho ruim, culpemos a nós mesmos, pois que a direcção do cavalo depende, exclusivamente de nós.
Meu papel consiste, unicamente, em mostrar-vos como se colocam as rédeas nesse cavalo, que não as tinha e como, graças a ele, podemos conduzir-nos como desejamos.
É uma coisa muito simples, na verdade, muito simples para ser compreendida à primeira vista.
Muitas vezes, acontece-me dizer aos meus ouvintes: Se vos exponho uma coisa complicada, compreendeis, sem dúvida, muito melhor, ou por outra acreditais compreender melhor; mas esta é tão simples que, ordinariamente, por causa de sua própria simplicidade, se torna difícil de discerni-la.
É chegada a ocasião de fazer algumas experiências destinadas a demostrar-vos a veracidade desses princípios.
"Rogo, portanto, a alguns dentre vós, que venham aqui perto, a fim de me ajudarem a fazê-las.
realiza, mas sim o que a pessoa tem em mente.
Se ela pensa, exactamente, como lhe peço, é isso o que se realiza, mas se pensa o contrário, será o contrário que se realizará.
Não uso o hipnotismo, nem faço a sugestão, nem trato de forçar pessoa alguma a fazer uma experiência, mas ensino a fazêlo, o que é completamente diferente.
Portanto, qualquer que seja o resultado da experiência, tenho sempre razão, ainda que pareça estar eu errado.
Ponho em prática esse princípio e, graças a isso é que, não obstante os meus sessenta e oito anos de idade, em março e abril de 1925 pude fazer uma excursão de trinta e cinco dias na Suíça, durante a qual visitei trinta e duas cidades, tendo feito centenas de sessões e conferências de cerca de duas horas cada uma.
Assim, a digestão se fará cada vez melhor; sentireis menos sensação de embaraço, de indisposição, de dor, mesmo que por ventura tenhais sofrido, algumas vezes, do estômago e dos intestinos.
Conseguintemente todas as manhãs, ao vos levantardes, ou vinte minutos bem exactamente depois do vosso pequeno almoço, conseguireis o resultado desejado, sem vos ser necessário tomar remédio de espécie alguma, ou de recorrer a qualquer artifício.
Enfim e principalmente (isto é essencial a todo mundo) se, até agora, em relação a vós mesmos, sentistes alguma desconfiança, a partir deste momento esta desconfiança começa a desaparecer e é substituída pela confiança em vós mesmos.
Adquiris confiança em vós mesmos --- ouvis?
--- adquiris confiança em vós mesmos, repito, e esta confiança que obtendes vos dá a certeza de que sois capazes de fazer, não somente bem, senão muito bem, tudo o que desejais fazer, com a condição de serem coisas razoáveis, e também tudo aquilo que por dever tendes a fazer.
fazer, desde que seja possível e que, consequentemente, as palavra difícil, impossível, não posso, está acima das minha forças, não posso deixar de...
etc." ficam completamente eliminadas do vosso vocabulário.
Essas palavras não existem na nossa língua, ouvis-me bem, essas palavras não existem na nossa língua.
As que existem são: "é fácil" e " eu posso".
Portanto, desde que seja uma coisa possível, considerai-a fácil, porque, nestas condições, ela se vos torna fácil, ainda mesmo que a outros possa parecer difícil ou impossível.
E esta coisa será realizada depressa, como deve ser e também sem fadiga, por isto que a fazeis sem esforços; ao passo que ela vos seria difícil ou impossível se como tal a houvésseis considerado.
Às pessoas que sofrem dores, digo: a partir deste momento, sob a influência de auto-sugestão que vos vou ensinar a praticar, vosso inconsciente vai fazer com que a causa determinante destas dores, qualquer que seja a sua denominação, desaparecerá aos poucos, no domínio da possibilidade.
Naturalmente, desaparecendo a causa, desaparecem as dores na mesma proporção.
E quando esta causa tiver desaparecido completamente, se por ventura isso for possível, as próprias dores não se repetirão mais e a cura estará realizada.
Se, porém, esta causa for de origem orgânica, só poderá desaparecer progressivamente, e, neste caso, as dores repetir-se-ão de vez em quando.
Pois bem, todas as vezes que elas se manifestarem, exijo que as façais desaparecer imediatamente, usando o processo que vou indicar, processo que, todavia, se aplica não somente às penas morais como também aos sofrimentos físicos.
É, pois, a todo mundo que me dirijo nesse momento, e a todos vós, digo: Quando vos acontecer, a qualquer de vós, sentir alguma coisa de que vos sobrevenha sofrimento físico ou moral, em lugar de mencionar essa coisa, de sofrer por causa dela e de vos lamentar, afirmai a vós mesmos que a fareis desaparecer, afirmai-o de modo bem simples, mas muito categórico.
É simples e, ao mesmo tempo, categórico.
Nessa ocasião, ficai a sós (isto não é indispensável, porquanto a gente pode isolar-se, moralmente, em qualquer lugar).
Estando sós, assentai-vos, fechai os olhos e, passando a mão, de leve, sobre a fronte se se trata de um caso moral, repeti, muito rapidamente, com os lábios, em voz alta, que possais ouvir, a fórmula; isto passa, isto passa etc." É essencial que pronuncieis as palavras: "isto passa, isto passa, etc.", bem depressa para que não haja o menor intervalo por onde possa penetrar a ideia contrária, entre duas vezes que as pronunciardes.
Assim, sois obrigados a pensar que isso passa e, como toda ideia que temos em mente torna-se uma realidade para nós, isso passa realmente.
Se o mal voltar, expulsai-o novamente, repetindo-o tantas vezes quantas necessárias forem.
Ainda que vos seja preciso usar esse processo 50, 100, 200 vezes, ou mais, por dia, usai-o, tratai-o como tratais uma mosca que tem a impertinência de pousar sobre o vosso rosto.
Se ainda voltar, de novo a enxotais e assim por diante, cada vez que ela vos importunar.
Pois bem, repito, fazei o mesmo com o mal.
E observareis que, quanto mais insistirdes menos vezes sereis obrigados a lançar mão desse processo.
Se, hoje, o tiverdes empregado 50 vezes, por exemplo, amanhã não o empregareis mais de 48 vezes, no dia seguinte 46, e assim em seguida, de sorte que, algum tempo depois, não o empregareis mais, absolutamente, por isso que não se fará sentir a sua necessidade.
Aqueles que são acometidos, perseguidos, possuídos por ideias tristes, ideias lúgubres, ideias obsessoras, por temores, pavores, fobias, a esses digo; "Aos poucos notareis que essas ideias, esses temores, essas fobias vão rareando no vosso espírito, vão-se tornando cada vez mais fracas, cada vez menos obstinadas e cada vez mais desprendendo-se de vós.
Aos nervosos, digo: "Pouco a pouco, sob influência da autosugestão, que vos vou ensinar, o nervosismo vai diminuir e, com ele, desaparecerão os sintomas que produzia.
Mesmo as crises nervosas, se as tendes, deveis conseguir desembaraçar-vos delas, completamente."
De hoje em diante, essas crises não vos apanharão mais, como dantes vos acontecia.
A princípio, disse-vos que durante toda a vida passamos a fazer a auto-sugestão inconsciente e nociva quase sempre.
As pessoas que gozam boa saúde também devem praticar esta autosugestão, que não somente opera sobre as coisas atuais como ainda sobre as futuras; ela impede a vinda do mal, o que é mais fácil do que curá-lo depois de chegado.
Contudo, se algumas pessoas continuarem a fazer outra sorte de sugestão, como, por exemplo, esta: "Todos os dias, sob todos os pontos de vista, vou cada vez pior etc." (há pessoas que passam a vida fazendo a si mesmas esta sugestão), necessariamente, é fatal, elas irão todos os dias cada vez pior.
Não deverão, porém, culpar nem a mim nem ao meu método, deverão, sim, culpar-se a si próprias e bater no peito, dizendo: "É minha culpa, é minha máxima culpa".
Para terminar, permito-me dar um conselho aos pais que desejam corrigir seus filhos, isto é, a todos os pais, aconselho a fazerem a sugestão nos seu filhos, durante o sono destes.
Eis como devem proceder: todas as noites, assim que a criança tiver adormecido, entrar, vagarosamente, no seu quarto, parar cerca de um metro distante de sua cabeça, e repetir, seguidamente, vinte ou vinte e cinco vezes, em voz baixa, numa espécie de sussurro, a coisa que se desejarem obter dela.
Com perseverança, chega-se muitas vezes a resultados os mais extraordinários, ao passo que outros processos têm falhado.
Por exemplo, certos acidentes que são o apanágio da criança de pouca idade, facilmente se curam por esse meio.
Se a criança rói as unhas, chupa o polegar, faz caretas; se é agastada, preguiçosa, desobediente etc., abandona, mais ou menos depressa, esses defeitos.
Mas, para isso, como aliás para tudo, é preciso paciência e perseverança.
Todas as manhãs, ao acordar, e todas as noites, logo ao deitar, fechar os olhos e, sem fixar a atenção no que se diz, proferir em voz bastante alta, a fim de ouvir as próprias palavras, esta frase, repetindo-a vinte vezes, tendo para isto um cordão com vinte nós: "Todos os dias, sob todos os pontos de vista, vou cada vez melhor."
Como as palavras "sob todos os pontos de vista" abrangem tudo, é inútil fazer a auto-sugestão para casos particulares.
Fazer esta auto-sugestão, quanto possível da maneira mais simples, mais infantil, mais maquinal, por conseguinte, sem o menor esforço.
Numa palavra, a fórmula deve ser repetida no tom em que se rezam as ladainhas.
Deste modo consegue-se introduzi-la mecanicamente no Inconsciente, pelo ouvido, e, logo que nele penetra, opera.
Seguir este método durante toda a vida, porque não só é preventivo como também curativo.
Ademais, cada vez que, durante o dia ou durante a noite, a gente tem um sofrimento físico ou moral, deve apegar-se imediatamente a si mesma, no propósito de não contribuir conscientemente para esse mal, e, também, para o fazer desaparecer.
Depois, deve ficar só o mais possível, fechar os olhos e, passando a mão pela fronte, ou pelo local dolorido, conforme se trate de uma dor moral ou física, repetir, rapidamente, com os lábios, estas palavras: "Isto passa, isto passa etc., etc.", durante o tempo necessário.
Com um pouco de hábito consegue-se fazer desaparecer a dor moral ou física, depois de 20 a 25 segundos.
Fazer isso toda vez que julgar necessário.
A prática da auto-sugestão não dispensa o tratamento médico, mas é um precioso auxílio tanto para o doente como para o médico.
Diariamente, recebo cartas de pessoas que, extensamente, me explicam todos os sintomas dos seus sofrimentos e me perguntam o que devem fazer.
O meu método sendo geral e, por conseguinte, referindo-se a tudo, não tenho conselhos especiais a dar, quaisquer que sejam os casos.
A única coisa a fazer é, observando, cuidadosamente, o tratamento prescrito pelo médico, seguir, mui exactamente, os conselhos que dou.
Se forem bem seguidos, isto é, evitando-se todo o esforço, obter-se-á tudo o que for humanamente possível obter.
Devo acrescentar que, muitas vezes, ignoro até onde vão os limites da possibilidade.
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